A sinalização dada pelo prefeito César Maia no seu blog, apontando o nome do secretário especial de Turismo, Rubem Medina, para a sua sucessão, está tendo uma repercussão muito maior do que se poderia prever. Está surgindo um consenso natural, principalmente pelo seu livre trânsito entre as mais diferentes correntes políticas da cidade e do Estado.Reedita, em nível municipal, o mesmo fenômeno político que ocorreu no Estado, quando o nome do senador Sérgio Cabral foi colocado na mesa. Uma união de diferentes partidos e a colocação do Estado do Rio de Janeiro longe das questiúnculas político-partidárias.
Com nove mandatos de deputado federal e experiência ímpar para a sua idade (tem apenas 64 anos, tendo sido um dos mais jovens parlamentares da história do Brasil), Rubem Medina traz na bagagem toda a tradição do pai, Abraão Medina, que nos anos 1950 e 60 revolucionou a publicidade e a vida artística carioca, através dos patrocínios da cadeia de lojas de eletrodoméstico “Rei da Voz”. O amor pelo Rio foi herdado do seu pai e, ao lado do irmão Roberto Medina (presidente da Artplan), a família promoveu eventos marcantes como o Rock in Rio, a Árvore de Natal da Lagoa e a vinda de Frank Sinatra ao Brasil.
A colocação de seu nome no processo sucessório pelo próprio prefeito César Maia, traz para o turismo uma oportunidade rara: a de ter na frente do executivo um prefeito que conhece profundamente o nosso setor e sabe o quanto a cidade está vocacionada para a atividade.
Com isso, o turismo atinge um patamar único. A candidatura de Medina poderá ser o ponto de partida para duas outras, a do deputado federal Otávio Leite (PSDB) e, no mesmo partido, a do secretário de Turismo do Estado, Eduardo Paes. Este, aliás, na última solenidade de discussão do Pan 2007, na sede do BNDES, afirmou que, se confirmada a indicação de Medina, não irá concorrer.
Quem considera prematuro o lançamento de um nome à sucessão municipal, deve se lembrar que durante os Jogos Pan-americanos, o turismo ganhará ainda mais repercussão e a pasta ocupada por Medina, a Secretaria de Turismo, terá uma maior visibilidade.
Contar também como uma máquina publicitária própria, como a Artplan, poderá trazer para o possível candidato um cacife ainda maior que os dos concorrentes. Aquilo que é produzido a peso de ouro para os outros, terá para ele custo de tarefa doméstica.
Uma coisa que tranqüiliza aqueles que torcem para que o seu nome emplaque é a lisura de sua vida pública e pessoal. Tem um currículo e um passado que resiste à lupa da concorrência e dos interesses políticos.
Rubem Medina é um nome que se coloca acima do bem e do mal e é identificado como um político tipicamente enraizado com o Rio. Os níveis de resistência são ralos e quase nulos. Tem oratória, porte e a humildade de quem sabe que este tipo de oportunidade surge por força do destino e de uma equação que não se explica.
O prefeito César Maia, ao colocar o nome de Medina no jogo sucessório, acaba, indiretamente, resolvendo um problema do governador Sérgio Cabral, que teria, dentro do seu próprio quadro de secretários, uma dezena de nomes prefeituráveis. Havendo o consenso, ganha o Rio, ganha o governador do Estado, que mantém uma equipe coesa e sem esfacelamento no próximo pleito municipal, e ganha o turismo, em ter, de dentro dos seus quadros, um nome pinçado para o principal cargo da cidade, acabando com a velha máxima de que “turismo não dá voto”.
Cabe agora, ao trade turístico, se mobilizar, demonstrar coragem em marchar unido e, de forma efetiva e não apenas afetiva, apoiar a chance que lhe é dada pelo destino.
Cláudio Magnavita é presidente da Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo (Abrajet), membro do Conselho Nacional de Turismo e diretor do Jornal de Turismo
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Publicado em: 06-03-2007
Publicado em: 06-03-2007