terça-feira, 24 de julho de 2007

PIB DO PAN CHEGA A R$ 5,7 BILHÕES

Gastos de turistas e investimentos públicos e de empresas entram na conta Cláudio Motta.
Não são apenas os atletas que comemoram o ouro, a prata e o bronze com o Pan-Americano.
Especialistas como Luiz Ozório, professor de finanças da Faculdade de Economia do Ibmec, festejam os investimentos feitos na cidade. A soma dos principais gastos relacionados ao evento — o PIB do Pan — atingiu o impressionante total de R$ 5,7 bilhões. O valor supera o do PIB de São Gonçalo (R$ 5,2 bilhões) e se aproxima muito do de Niterói (R$ 5,8 bilhões), de acordo com dados do IBGE referentes ao ano de 2004. A conta inclui os investimentos públicos e os de empresas, além dos gastos de turistas, serviços e comércio.— O cálculo do PIB do Pan nos ajuda a entender que os jogos são um ótimo negócio para a cidade.
Além do efeito imediato, os jogos trarão investimentos a médio e longo prazos. Estamos redescobrindo a vocação do Rio para grandes eventos — disse Luiz Ozório.Apesar da grandiosidade das cifras, o especialista explica que não é possível incluir todos os gastos relacionados ao evento. O cálculo não considerou, por exemplo, as verbas publicitárias ligadas ao Pan. Além de anúncios para rádio e televisão, muitas empresas patrocinam atletas, que ganham maior visibilidade durante os jogos.O maior investimento no Pan foi do setor público.
Segundo os números oficiais divulgados por prefeitura, estado e município, seus gastos somados chegam à ordem de R$ 3,5 bilhões. As obras do Estádio Olímpico João Havelange (Engenhão), do parque esportivo do Autódromo e dos complexos de Deodoro e do Maracanã consumiram R$ 712,1 milhões. Somente em segurança pública, o governo federal aplicou R$ 600 milhões.
A União destinou, ainda, R$ 31,8 milhões para aluguel de camas, fronhas, lençóis e aparelhos de ar-condicionado, além de itens de higiene pessoal e contratação de mão-de-obra temporária.O PIB do Pan poderá crescer ainda mais quando a prefeitura licitar alguns de seus equipamentos públicos. O lance mínimo para a Arena do Autódromo é de R$ 129 milhões. O Engenhão poderá ser alugado por R$ 1.600 mensais durante 40 anos.— A licitação de equipamentos públicos é analisada à medida que estudos são propostos para a melhoria da gestão ou dos serviços.
O velódromo também nos parece um equipamento lucrativo. Estamos decidindo se ele será concedido ou não — disse o prefeito Cesar Maia.A maior duração do Pan em relação aos principais eventos da cidade, como o réveillon e o carnaval, é um dos fatores de aumento de arrecadação. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, calcula que, só em diárias, o Pan movimentará R$ 100 milhões. O número de empregos criados no setor deve chegar a 3.500 empregos.— O Ano Novo dura três dias; o carnaval, quatro; e o Pan, 15.
A projeção internacional do Rio também será fenomenal. Os jogos serão um divisor de águas para o turismo — disse Lopes.A Riotur calcula que a cidade receba 630 mil pessoas, que farão compras, irão a restaurantes e usarão o sistema de transportes. Os turistas que circulam pela cidade devem gastar cerca de R$ 1,4 bilhão, de acordo com cálculos do prefeito.Turistas e cariocas que quiserem comprar uma lembrança oficial do Pan farão parte de um mercado que deve movimentar R$ 100 milhoes. Segundo o Comitê Organizador do evento (CO-Rio), apenas as empresas licenciadas podem fabricar e distribuir produtos com imagens referentes aos Jogos, como a da mascote Cauê. Mais de 20 firmas fecharam contrato para explorar a marca.
A Olympikus, patrocinadora oficial e licenciada exclusiva nas categorias de roupas e calçados, espera aumentar suas vendas em 30%.Para acompanhar o Pan, muitas empresas ampliarão suas atividades ou farão instalações provisórias. O subsecretário de Turismo, Antônio Galvão, diz que elas terão que usar serviços como internet e aluguel de carros.
Fonte: jornal O Globo de 15/7/2007