terça-feira, 19 de junho de 2007

TURISMO O dólar jogou a favor


Desde que o preço do dólar começou a cair, depois das eleições presidenciais de 2002, muitos empresários passaram a reclamar do câmbio desfavorável à exportação. Quem não reclama são os empresários do setor de turismo. O real valorizado barateia as viagens ao exterior e Brasil. “Os hotéis brasileiros abaixaram os preços das diárias para não perder os turistas, que, com o dólar baixo, podem viajar para fora”, diz Valter Patriani, presidente da CVC, a maior empresa de pacotes turísticos do país.


45% é quanto deverá crescer o setor de transporte aéreo em 2007


Segundo uma pesquisa feita pelo Ministério do Turismo, em parceria com a Embratur e a Fundação Getúlio Vargas (FGV), as 80 maiores empresas do setor faturaram R$ 29,6 bilhões no ano passado, 29,3% a mais que em 2005. Em 2007, elas deverão faturar cerca de R$ 40 bilhões.


“Quando as grandes empresas de turismo crescem, puxam o crescimento das pequenas e médias que dependem delas”, diz José Francisco Lopes, diretor do Departamento de Estudos e Pesquisas da Embratur. “A indústria do turismo vive um ciclo de crescimento há cinco anos.”


Além do dólar, as empresas aéreas reduziram o preço das passagens, pressionadas pelo modelo de operações de baixo custo adotado pioneiramente pela Gol. Em 2006, a redução foi de cerca de 4%, segundo a TAM. “Milhares de brasileiros fizeram sua primeira viagem de avião nos últimos dois ou três anos”, diz Patriani, da CVC. A empresa informa que cresceu 18% no ano passado e, neste ano, espera crescer 15%, transportando 1,5 milhão de passageiros, 200 mil a mais que em 2005.

VIAGENS AÉREAS Crise? Que crise?

Num período em que as empresas de aviação passam pela mais grave crise de sua história, o setor registra números exuberantes. No ano passado, o faturamento cresceu 42,4%, segundo uma pesquisa feita pelo Ministério do Turismo, em parceria com a Embratur e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em 2007, o bom desempenho deverá se repetir, com crescimento em torno de 45%.


De acordo com o coordenador da pesquisa, José Francisco Lopes, o desempenho só não foi melhor por causa dos problemas financeiros da Varig, que levaram a uma redução na oferta de assentos aos passageiros. Mesmo assim, em 2006, quase 50 milhões de passagens aéreas foram vendidas no Brasil, onde apenas 10% da população voa de avião. “A demanda por viagens aéreas é bem maior que a oferta”, diz Lopes. “Há muito espaço para crescer.”


Há cerca de cinco anos, o setor aéreo vem apresentando taxas de crescimento acima dos 10%. Desde que a Gol entrou no mercado nacional com seu modelo de baixo custo, em 2001, as demais empresas tiveram de reduzir as tarifas para se manter no mercado. As promoções agressivas, como vôos domésticos a R$ 1, também fortaleceram o crescimento. Com o aumento dos prazos do crédito, a redução dos juros e a queda do dólar, ficou mais fácil viajar de avião.
O desempenho da TAM, que está lutando contra a Gol para se manter na liderança do mercado, reflete o bom momento do mercado. Em 2006, o lucro da empresa cresceu quase 200% em relação ao ano anterior. “Estamos investindo no crescimento”, diz Paulo Cezar Castello Branco, vice-presidente de planejamento e alianças da TAM. Nos últimos anos, o caixa foi reforçado com R$ 3 bilhões, por meio de captação em bolsa e empréstimos para financiar a expansão.