Apesar de o turismo nacional estar vivendo um dos melhores momentos de sua história, depois de atingir o marco de US$ 2,925 bilhões na corrente cambial no primeiro trimestre do ano, os agentes de viagens não têm razões para comemorar. De acordo com a presidente da Embratur, Jeanine Pires, a concorrência com a internet, que oferece opções de pacotes sem custo adicional de intermediários, está levando à falência as agências de viagens que não agregam valor aos serviços.
- A American Society of Travel Agents (ASTA), uma das maiores associações do setor no mundo, anunciou que a internet provocou uma redução de 22% no número de agências no ano passado - afirma. - As empresas brasileiras que quiserem vencer a concorrência da internet precisam parar de vender só praia e Carnaval, e diversificar os pacotes ofertados, investindo cada vez mais em qualificação e certificação. Aquelas que continuarem optando pelo básico serão engolidas pela rede.
Para o presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), Luiz Strauss de Campos, a redução do número de agências é uma tendência natural de mercado, que deve se intensificar no Brasil nos próximos anos.
- Com o fenômeno da globalização, as empresas buscaram o caminho natural das fusões para aprimorarem os serviços - observa. - O que está acontecendo hoje com as agências de viagens foi o mesmo que aconteceu há anos atrás com outros setores de serviços, como o de telefonia, por exemplo.
Strauss destaca que a internet é apenas um dos fatores que contribuem para a redução do número de agências de viagens, mas não o principal.
- A internet não é um concorrente necessariamente nocivo; pode ser um forte fator agregado - avalia. - Se as empresas fizerem uso inteligente da rede, sem dúvida vão captar mais clientes. Nossos principais problemas hoje são a crise das companhias aéreas e a falta de profissionais capacitados.
O presidente da Associação Brasileira de Turismo Receptivo Internacional (Bito), Roberto Dultra, acredita que, além de políticas públicas eficazes, a segmentação por nichos é a saída para impulsionar a indústria do turismo, com a atração de mais estrangeiros para o Brasil.
- As empresas que se pretendem competitivas precisam optar por nichos específicos, como ecoturismo, negócios e esportes - orienta. - Por ocasião do novo vôo da companhia portuguesa TAP, que vai ligar Lisboa a Brasília, a partir do dia 19 de julho, por exemplo, inúmeras oportunidades de negócios de turismo ecológico serão criadas. Quem souber aproveitar o momento, tem muito a ganhar.
Na contramão da crise aérea e da ameaça de redução no número de agências de viagens, o setor de turismo fechou os quatro primeiro meses deste ano comemorando quatro recordes. De acordo com pesquisa do Ministério do Turismo em parceria com a Fundação Getúlio Vargas - divulgada ontem pela ministra Marta Suplicy -, 16,4 milhões de pessoas desembarcaram nos vôos domésticos do país, o que representa um incremento de 9,1% em comparação com o mesmo período do ano passado. A pesquisa demonstrou que o crescimento dos desembarques foi impulsionado pelos vôos regulares, que só em abril deste ano alcançaram 4,15 milhões de passageiros, superando o recorde de 4,11 milhões em janeiro último.
Outro recorde foi o resultado do aumento dos gastos dos turistas estrangeiros, que totalizaram US$ 1,332 bilhão no primeiro trimestre deste ano. O montante representa avanço de 9,7% sobre o mesmo período do ano passado. A corrente cambial turística (receitas mais despesas) também atingiu um volume inédito: US$ 2,925 bilhões no primeiro trimestre deste ano, valor 18,9% superior ao registrado de janeiro a março de 2006.
Fonte: Jb On line - Luciana Gondim