segunda-feira, 14 de maio de 2007

Nós e o aquecimento global

por Rubem Medina

Em um jogo de basquete, o lendário Magic Johnson marcou 67 pontos, recorde absoluto até hoje. Na mesma partida, um jogador estreante entrou no final e marcou 1 ponto. Entrevistado depois do apito final, o novato saiu-se com essa: “estou muito feliz porque eu e Magic Johnson, juntos, marcamos 68 pontos”.


Essa história foi contada no último sábado pelo ex-vice presidente americano Al Gore, que veio ao Rio em mais uma escala de sua campanha mundial de conscientização sobre a crise climática e o aquecimento global. Quem ouviu a história achou graça daquele desconhecido jogador que, com um só pontinho na partida, repartiu as glórias da vitória com o maior atleta do esporte. Alguns devem ter achado que era muita pretensão do iniciante. Outros, como eu – e acho que o Al Gore também – viram a coisa de um modo diferente: cada um contribuiu como pôde, e o mais importante é que, no final, o time venceu.


Al Gore veio ao Rio anunciar que, em julho próximo, um mega-espetáculo de música terá lugar, simultaneamente, em 10 grandes cidades dos 5 continentes. Chama-se Live Earth. O show do Rio será com certeza o maior deles porque se realizará na praia de Copacabana, sem cobrança de ingresso (ou outros ocorrerão em ginásios fechados). Os nomes mais conhecidos da música popular do planeta vão se unir a uma só voz para dizer: a Terra está doente, tem uma febre perigosa e precisa se tratar. A cura é possível, só depende de nós. Essa geração tem uma enorme responsabilidade sobre o legado ambiental que deixará para seus filhos e netos, e para as gerações seguintes.


Embora muitos ainda insistam em ignorar o problema, a começar pelo governo do maior país do planeta, muitos já estão conscientes e começaram a fazer o que deve ser feito. Governos estabeleceram metas para reduzir as emissões de carbono na atmosfera, estimulando o uso de fontes energéticas menos poluentes. Empresas investem bilhões para aplicar técnicas de produção que não contribuam para o aquecimento da Terra, não só porque é um imperativo moral, mas também porque é um bom negócio para elas. No Brasil, o governo estabeleceu metas para reduzir o desmatamento na Amazônia – e esperamos que consiga cumpri-las. Os cientistas fazem a sua parte, pesquisando novas soluções; professores em todo o mundo estudam para explicar o assunto aos seus alunos; os artistas usam sua arte para ampliar a consciência sobre o problema, como vemos agora no Live Earth.


Mas engana-se quem acha que esse é um assunto apenas para governos, grandes empresas, cientistas e celebridades. A febre planetária não vai diminuir se cada um de nós não fizer a sua parte. Muitos dos fatores que geram o aquecimento global estão instalados nas residências e em pequenos estabelecimentos comerciais ou de serviços. Você pode não ser o Magic Johnson, mas seu pontinho é indispensável para que o time possa vencer.


Não sou especialista no assunto, mas posso compartilhar com você o que já aprendi. Primeiro de tudo: economize energia. Luzes acesas sem necessidade, ar condicionado ligado com portas ou janelas abertas, lâmpadas incandescentes – tudo isso joga energia fora, e o consumo exagerado de energia é fator de aquecimento do planeta. Mesmo que a conta de luz não seja um problema para você (para a maioria é...), com certeza é um problema para o planeta.


Outra coisa: economize água, porque a crise climática tornará a água potável mais rara e mais cara. Você toma banhos exageradamente longos? Substitui a vassoura pela mangueira na hora de limpar a calçada? Deixa a torneira aberta enquanto lava a louça? Pense duas vezes: a água que você desperdiça hoje vai fazer falta para seus filhos. Na conversa com o Al Gore, a Xuxa – que participará do Live Earth – contou como a filha dela reclamou porque a mãe deixou a torneira aberta enquanto escovava os dentes. A Sacha sabe das coisas...