O clima de competições esportivas criado pelos Jogos Pan-Americanos vai fazer a rede hoteleira do Rio viver um réveillon fora de época, em plena baixa temporada. Na Barra da Tijuca, 100% dos quartos de hotéis já estão reservados para os dias do evento. A informação foi dada pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio (ABIH-Rio), Alfredo Lopes, que não espera ocupação menor no resto da cidade. São 28 mil quartos a receberem turistas e todos os que vierem a trabalho para o Pan.
Em anos normais, a média de ocupação na rede hoteleira não costuma passar de 60% no mês de julho. Mas, para fazer valer os mais de R$ 1,5 bilhão investidos nos últimos anos para ampliação da rede em 3 mil quartos - principalmente na Barra - a indústria do turismo não pode depender apenas de eventos esportivos. De acordo com o presidente da ABIH-Rio, entregues as medalhas do Pan, a rede hoteleira da região da Barra da Tijuca vai explorar o turismo de convenção e de negócios:
- Há alguns anos vemos uma grande movimentação de empresas transferindo sedes para a Barra, por causa da infra-estrutura local. A modernização dos pavilhões de convenções do Riocentro é outro fator que estimula a vinda de feiras e congressos.
Ainda no clima do Pan, o secretário municipal de Turismo, Rubem Medina, faz ressalvas em considerar a Barra a única grande beneficiada pelos Jogos. Medina estima que 750 mil turistas virão à cidade por causa do evento, mas a melhor parte virá depois, com a divulgação do Rio em todo o mundo nas duas semanas de competições.
- Os investimentos da indústria do turismo fizeram da cidade a mais bem equipada da América Latina - diz o secretário, referindo-se às atrações turísticas e à infra-estrutura hoteleira. - Preparado para o Pan, o Rio está capaz de receber qualquer evento.
O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav/RJ), Luiz Strauss de Campos, está ainda mais otimista. A expectativa, na avaliação do dirigente, é de que as duas semanas de competição representem não apenas um réveillon fora de época, mas de três a quatro festas de réveillon em termos de movimentação e ocupação da rede hoteleira.
O setor, no entanto, aposta mesmo no que considera o maior legado para o Rio que será deixado pelo Pan-Americano.
- Durante quase um mês, o Rio vai ser notícia no Brasil todo e em vários países. Isso é um marketing natural para atrair mais turistas à cidade e novos eventos - analisa o dirigente, lembrando que as agências credenciadas compraram 4 mil ingressos para o Pan, dos 30 mil que foram separados pelo CO-Rio para a entidade. O dado significa que 4 mil pacotes de viagens relacionados à competição foram vendidos.
Já o presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio (SindRio), Alexandre Sampaio, aposta na rotatividade de turistas durante a competição. E lembra que a primeira semana será fundamental para a movimentação do mercado:
- Se a performance dos atletas brasileiros for boa na primeira semana do Pan, pode haver um aumento no tráfego de turistas, principalmente de outros Estados.
Fonte: JB on line