A desvalorização da moeda americana, que ontem fechou a R$ 1,954, traz conseqüências díspares para o setor de turismo. Enquanto as agências de viagens comemoram a saída de brasileiros para destinos no exterior, as empresas nacionais que recebem turistas estrangeiros já contabilizam prejuízos de 30%, já que os pacotes são comercializados em dólares. Como estratégia para a crise, o setor defende a adoção urgente do real como moeda única da indústria do turismo receptivo.Para o presidente da Associação Brasileira de Turismo Receptivo Internacional (Bito), Roberto Dultra, as tarifas em dólares eram essenciais quando o país sofria com altos índices de inflação.
- Mas agora que a economia está estável, não faz mais sentido dolarizar as tarifas, pois essa prática está comprometendo seriamente o faturamento de hotéis, agências receptivas e fornecedores - analisa. Dultra explica que com a queda da inflação e a liberação do câmbio, a taxa de conversão nas casas de câmbio passou a ser influenciada pelas oscilações entre a demanda e a oferta. Com a estabilização econômica, o real teria conquistado a credibilidade internacional necessária para ser adotado como moeda única no turismo receptivo.
- A garantia de receita e de lucratividade agora só pode ser alcançada se estabelecermos preços, tarifários e cotações em real, pois nossos custos são em moeda nacional. Todos os principais destinos turísticos internacionais, até mesmo a África do Sul, que tem uma das moedas mais restritas e controladas do mundo, fornecem preços em moeda local.
Enquanto o turismo receptivo lamenta a desvalorização do dólar, os brasileiros aproveitam para fazer as malas. Motivada pelo dólar baixo, Mariana Xavier, de 24 anos, decidiu viajar no próximo mês de junho para a Austrália.
- Vou esperar até a próxima semana para comprar a passagem, que custa U$S 1.700-, pois a agência de viagens me informou que o dólar tende a cair ainda mais - planeja.
Fonte: JB on line - Luciana Gondim