segunda-feira, 21 de maio de 2007

Turismo derrota a crise


O caos aéreo abalou todo o setor de turismo, mas em pelo menos um ramo as empresas conseguiram dar a volta por cima. Agências e operadoras de turismo seguiram ao pé da letra a origem da palavra “crise” — que vem do latim crìsis e significa momento de decisão ou mudança súbita — e se reinventaram para não serem engolidas pelos problemas nos aeroportos. Dispostas a desenhar pacotes exclusivos para seus clientes, essas empresas descobriram que o setor aéreo mudou de postura. E que, para sobreviver, é preciso ser mais independentes das companhias de aviação.



Superando as expectativas até dos mais crédulos, as agências fecharam o ano passado com alta no faturamento de 17,7%, em média, de acordo com a Pesquisa Anual de Conjuntura Econômica do Turismo. As operadoras, por sua vez, aumentaram seus ganhos em 18,5% segundo apuração do Ministério do Turismo. “No fim, 2006 foi um ano próspero. A agência tem hoje um leque maior de serviços e não está focada só na passagem aérea”, conta Valquíria Algélica de Almeida, gerente da Nazaré Turismo, filiada à Buriti. “Entendemos que, por mais que o cliente aproveite as promoções das companhias aéreas, várias vezes ele precisa de ajuda para completar o turismo.



É aí que nós entramos, com opções de hotéis, transfer (descolamento entre aeroporto e local de estadia) e outros serviços”, afirmou. Para o professor de Lazer e Turismo da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Trigo, a releitura é benéfica. “Estamos atingindo a estabilização do fluxo de turistas e isso mostra organização do setor. E, na medida em que ele está mais organizado, as operadoras e agências estão percebendo que têm como haver uma segmentação maior”, diagnostica. Nem de longe as apostas dos empresários do ramo para este ano lembram as infindáveis reclamações feitas em 2006. “Queremos um atendimento diferenciado, como o feito por agências menores, voltado para as necessidades de cada cliente. O nosso foco é entender melhor o cliente”, explica André Moura, diretor comercial da Interline Turismo. Ironicamente, as agências têm encontrado nas empresas aéreas a fórmula para atender às expectativas dos turistas. “O brasileiro quer uma mescla de preço, qualidade no atendimento e informação.



É como nas companhias aéreas, que perceberam que o cliente quer conforto, mas sem pagar mais por isso”, avalia Moura. Otimismo Para quem vê as cenas de caos nos aeroportos parece difícil acreditar que 2007 possa superar as expectativas. Só que o desempenho acima do esperado em 2006 já permite que governo e empresas se encham de expectativas positivas, porque o que mais abalou o turismo, na opinião dos técnicos do ministério, não foi a crise dos controladores de vôo, mas o colapso da Varig, considerado um percalço superado atualmente. “Os resultados mostram que os problemas não afetaram de forma grave os nossos resultados no turismo”, diagnosticou o secretário-executivo, Márcio Favilla, ao detalhar os resultados da pesquisa no mês passado.



A idéia do governo é não se agarrar a um aumento de turistas, mas convencer os que vêm a gastar mais. A estratégia é benéfica para o setor em um momento em que apenas o crescimento vegetativo do número de passageiros, na casa dos 18%, já tem sido um problema para o país.


Fonte: Correio Braziliense