A notícia abaixo me lembra o meu pai, Abraham Medina e uma frase dele que marca a minha relação com o turismo: "Hoje vejo minha cidade triste. E, no entanto, tudo que fez um dia o encanto do Rio continua aí: o sol, o mar, a paisagem e, sobretudo, essa gente de fibra a toda prova, pronta a sair às ruas cantando e dançando ao menor pretexto."A frase é de 1981 e o que a gente vê hoje comprova que nós, cariocas, somos mesmo desse modo: temos um amor incontido pela cidade e calor no coração.
Jornal do Brasil
Juliana Rocha
Depois das perdas com a crise aérea em pleno verão, os hotéis do Rio de Janeiro começam a vislumbrar dias melhores. Em julho, além das férias escolares, o setor hoteleiro será beneficiado com os Jogos Pan-Americanos, que começam no dia 13 na cidade. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro (ABIH-RJ) espera que a ocupação em julho varie de 90% a 100%.
- O apagão aéreo causou um prejuízo enorme, que não pode ser quantificado. O turista não chega a cancelar a reserva porque simplesmente decide não viajar - comenta o presidente da ABIH-RJ, Alfredo Lopes. - Por sorte, vamos ter o Pan em julho, o que tem sido uma excelente divulgação nacional e internacional para a cidade.
A taxa de ocupação dos hotéis durante os Jogos Pan-Americanos pode até superar a do réveillón, que foi de 93%, em média, este ano. No Carnaval, a taxa de ocupação caiu para 86%, menor que no ano passado, de 93%.
Em dezembro de 2006, a taxa de ocupação foi de 60,83%, um pouco acima da registrada no mesmo mês de 2005, apesar da crise aérea. Em janeiro, a taxa ficou em 65,26%.
A maioria dos turistas instalados nos hotéis cariocas durante o verão eram brasileiros. Em janeiro, 55,29% dos turistas hospedados no Rio vieram de outros lugares do Brasil, principalmente de São Paulo. Dos 44,71% vindos do exterior, 16% eram europeus e 11% americanos e canadenses. Lopes justifica que este movimento ocorreu no país inteiro. Um dos motivos pode ser a quebra da Varig. Com a crise da companhia aérea, muitas linhas internacionais foram desativadas. E as companhias concorrentes não as retomaram. Já as linhas nacionais da Varig foram absorvidas pela Gol e pela Ocean Air.
Lopes tem motivos para comemorar a propaganda positiva do Pan-Americano. Afinal, a violência no Rio tem ganhado espaço nos jornais tanto do Brasil quanto do exterior. Assim, a onda de violência e a repercussão na imprensa afugentam turistas da Cidade Maravilhosa.
O presidente da ABIH-RJ lamenta episódios como o assassinato de quatro franceses este ano. Três deles moravam no Brasil e comandavam uma ONG de apoio a meninos de rua. O quarto era o músico Sebastien Emmanuel Jerome Gressez, morto, em 19 de março, durante uma tentativa de assalto na rodovia Presidente Dutra. Com as notícias de violência, logo em seguida os jornais franceses sugeriam aos turistas do país que, em viagens ao Brasil, separassem R$ 50 para o ladrão.
Mas o presidente da ABIH-RJ lembra que os turistas raramente são vítimas diretas da violência, como as trocas de tiros entre traficantes. A maioria dos que sofreram com a violência na cidade foram vítimas de pequenos furtos, como batedores de carteira.
Lopes elogia a iniciativa conjunta do governo do Estado e da prefeitura de criar o programa chamado Copacabana Bacana, de reordenação das ruas do bairro, em especial da Orla. Além da limpeza, o projeto ajuda a recolher a população de rua, o que melhora a segurança.
- Esta é uma parceria que deu certo entre o Estado e a prefeitura. O projeto vai chegar também em Ipanema, Leblon e Barra - conta.